Uma floresta alta e verde cerrava os galhos como teto. Tico caminhava devagar, ouvindo os sons do mato.
Tico parou de repente. Um pio fraco vinha de baixo das folhas. Ele empurrou a folhagem com o focinho.
Lá embaixo, um filhote de arara. Caído. Tico recuou um passo. "Que barulho é esse?"
Tico pegou o filhote nas costas e caminhou para a floresta alta. Ele procurava um galho alto, um ninho.
O galho era muito alto. Tico tentou subir, mas os dedos escorregaram. Pulos sem jeito. Caindo de bunda numa pilha de folhas secas.
Tico tentou de novo. Desta vez, usou as raízes como escada. Quase lá. Quase.
Chegou ao ninho. Mas o filhote escorregou. Caiu num emaranhado de cipós. "E agora?"
Tico desceu correndo para resgatá-lo. Tropeçou numa raiz e rolou ladeira abaixo. Parou. Mas os cipós apertavam.
O vento soprou forte. Um galho seco caiu, bloqueando o caminho. O filhote pia alto de medo. Tico olhou ao redor.
Uma caverna pequena entre as pedras. Tico empurrou o filhote para dentro com o focinho e entrou atrás.
O vento parou. Tico saiu devagar. O sol brilhava entre as árvores. E então… um pio. Doce.
Papai arara havia chegado. O filhote voou para ele. O papai coçou a cabeça do filhote com o bico. Tico sorriu. Sua cauda balouçou devagar.