Mo prensou o narizinho bem rente ao vidro gelado. Bolhinhas rosas e douradas giravam ao seu redor, brilhando com a luz. Ela apertou os olhinhos e sorriu.
Um filhote de tubarão amarelo deslizou até pertinho do rosto dela, abrindo um sorrisão. Plim! Um borrifinho molhado bateu no vidro. Os olhinhos de Mo se arregalaram.
O filhote de tubarão deu uma volta nas bolhas, depois outra. Então se encolheu no cantinho mais distante e prensou as nadadorinhas contra a parede.
Toc. Toc. Mo bateu no vidro. O tubarão recuou de raspado e se escondeu atrás de uma torre de bolhas azuis. Mo franziu a testa, com o dedinho pairando no ar.
Mo acenou com a mão. O tubarão se afastou ainda mais. Ela agitou a mão com mais força, os braços fazendo ondas no ar. O tubarão se escondeu atrás de uma bolhinha roxa — sumiu.
Mo apoiou a bochechinha no vidro. Tudo parado. Tudo quieto. Então, depois de um momento muito, muito longo, uma nadadorinha amarelinha espiou de baixo.
Mo deslizou a pontinha do dedo devagarinho pelo vidro, desenhando um caminho até o meio brilhante. O tubarão se soltou da parede e seguiu, pouquinho a pouquinho.
O tubarão girou em círculos. Três bolhas redondinhas subiram — plim, plim, plim — bem na palma da mão de Mo.
Mo sorriu e mexeu os dedinhos. O tubarão abanou a cauda, acenou de volta com uma nadadeira amarela, depois se atirou no redemoinho cheio de cores. Sumiu.
Mo observou as bolhas girando. — Tchau, amiguinho — sussurrou. Manteve a mãozinha apoiada no vidro um pouquinho a mais.







