Ember salta pela trilha sinuosa da floresta, suas botas batendo na grama macia. Aí—para. Algo redondo brilha na grama alta à frente.
Ela abaixa-se, espalha um tufo de flocos de dente-de-leão. Lá está: o ovo, malhado de cinza e frio, repousando na terra como uma pedra esquecida.
Ela solva um suspiro. Com as duas palmas, abraça o pequeno ovo cinzento enquanto o vento da campina puxa seu colarinho e sementes de dente-de-leão flutuam diante de seus dedos.
Ela guarda o ovo no bolso e apressa os passos. A casinha de madeira minúscula espreita entre as árvores ali adiante.
Hastes de trevo. Um pedaço de colcha. Ela forra a janela e encosta a orelha na casca. Nada.
Toda noite: toca, toca no cinza. Só o relógio da cozinha tiqueta. Só o riacho murmura fino além da vidraça. Ela acaricia o ovo como quem acaricia um pássaro dormindo.
Três noites depois, o ovo treme. Uma rachadura finíssima corta a casca, deixando escapar um fio tenso de luz violeta na escuridão.
O ovo balança em sua caminha de trevo, inclinando-se para a esquerda, depois para a direita, como uma semente ao vento. Ela percorre a casca rachada com a ponta de um dedo. Quase. A palavra escapa antes que ela consiga segurá-la.
O vento da campina bate a porta com força — bum. A casca se parte. Um mini dragão enrugado, roxo como uma íris cerosa, espirra faíscas lavanda direto no nariz dela.
Lá fora, onde a grama ainda guarda o frio úmido do orvalho. O dragão enrola a cauda no polegar dela. Uma pequena sombra roxa se arrasta atrás de sua bota, folhas de trevo grudadas nas escamas pegajosas.







