O quintal estava em silêncio. O velho carvalho se erguia alto, seus galhos arranhando o céu escuro.
Lunette apoiou as duas palmas na casca e empurrou. Rangiu—o tronco se abriu de lado, e uma luz prateada jorrou entre as raízes.
O pinhão escapou de seu punho. Ai, ela sussurrou. Ajoelhou-se e rastejou pelo portal cintilante.
O chão sob suas botas rangeu fino, como farinha compactada. Tudo era cor de creme e imóvel. Sem vento. Sem pássaros. Apenas o zumbido sereno da lua.
Um coelhinho brilhante, do tamanho de um prato de jantar, saltou até ela, as orelhas balançando. Lunette se agachou e esticou a mão. O coelhinho encostou o focinho no polegar dela.
Quente e constante, o corpo do coelhinho pulsava como um abajur lento, do dourado ao azul e de volta. Lunette ficou bem quieta. Não piscou.
O coelhinho saltou à frente, guiando-a até a beirada da lua. Abaixo deles, todo o céu noturno pendia como um edredom escuro, salpicado de estrelas.
Lunette se agachou e agarrou um único fio de luar no chão macio como farinha. Escorregou entre seus dedos como fumaça. Desapareceu num piscar.
O coelhinho brilhante juntou as duas patinhas e recolheu um fio de luz, depois os estendeu para Lunette. Ela se inclinou, com as palmas imitando a forma.
Lunette repetiu o gesto—palma plana, dedos se fechando. Um único feixe de luar pousou em suas mãos, zumbindo como um sininho.
Ela guardou o feixe brilhante no bolso da frente e voltou pelo portal de prata. Atrás dela, o tronco do carvalho se fechou com um baque suave.
Lá fora, no quintal escuro, seu bolso brilhava prateado contra a grama. Lunette sorriu. O melhor bolso do mundo, pensou ela.







